05 JUN

Comemoração

Parabéns Liceu, pelos seus 135 anos!
Com prédio histórico tombado na região central de SP, Liceu Coração de Jesus comemora 135 anos
Primeiros alunos do colégio foram filhos de escravos libertos e de imigrantes italianos; complexo construído em estilo renascentista em 1885 tem imagem do Sagrado Coração de Jesus vinda da Europa
 
O Liceu Coração de Jesus completa 135 anos dia 5 de junho. Localizado na região central da capital paulista e tombado pelo Condephaat, o prédio remete a momentos históricos de São Paulo, abrigando um dos colégios mais antigos ainda em funcionamento na cidade. A instituição foi inaugurada pelos primeiros padres salesianos que desembarcaram em São Paulo, em 1885, sob o nome Liceu de Artes, Ofícios e Comércio.
“Agradecer a Deus por uma instituição que completa 135 anos não é uma tarefa fácil. Tantas vidas, tantas histórias, tantas famílias, tantas alegrias e tristezas, tantas realizações e sonhos. Fazer parte da história do Liceu é fazer parte da história de São Paulo, pois gerações e gerações passaram pelos pátios, salas de aula, santuário, todos dando o seu melhor na busca pelo conhecimento e construindo a fraternidade, dando-nos orgulho e felicidade da nossa escolha em estudar numa escola salesiana. Obrigado a toda comunidade educativa e ex-alunos do Liceu e que Deus continue derramando suas bênçãos sobre todos nós”, diz o Padre Douglas Verdi, diretor geral do colégio.
Marcada pela tradição e pela presença religiosa, a escola também ajuda a remontar momentos importantes da história de São Paulo. Seus primeiros alunos foram filhos de escravos libertos e de imigrantes italianos, que procuravam pelos cursos profissionalizantes de tipografa, impressão, alfaiataria, entre tantos outros. Hoje, a escola disponibiliza Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
O conjunto arquitetônico, que ocupa um quarteirão inteiro no bairro dos Campos Elíseos, também inclui a igreja do Santuário Sagrado, construída para abrigar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, vinda da Europa, e o Teatro Grande Otelo. Um dos pontos de destaque da construção, o teatro foi restaurado e reaberto em 2011, com apresentações de peças consagradas.
Tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) em 2013, o complexo mantém as características arquitetônicas originais. O Santuário, construído em estilo renascentista e em forma de basílica, também possui a mesma planta retangular de sua inauguração.
Ao longo dos anos, o Liceu conseguiu preservar suas características históricas e tradições e, ao mesmo tempo, se pautar pela inovação, tendo como pilares a liberdade, o incentivo ao pensamento crítico e a valorização humana.
O colégio conta com o Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB), com mais de 40 mil objetos colecionados desde o início do século XX. O MOSB é o centro de memória do Colégio Liceu Coração de Jesus e promove exposições temporárias e visitas educativas.
 
Curiosidades
• Pelas salas de aula do colégio passaram personalidades brasileiras ilustres como os atores Sérgio Cardoso, Grande Otelo (que deu nome ao teatro do Liceu), Fúlvio Stefanini e o cantor Toquinho.
• O colégio adotou a instrução militar na época da campanha lançada em 1908 pelo Marechal Hermes da Fonseca para que o ensino militar fosse obrigatório no país, com foco na formação de caráter, no patriotismo e no civismo. Depois dos estudos, os alunos recebiam caderneta reservista do Exército, ficando assim isentos do serviço militar do quartel.
• A música sempre esteve presente no colégio. Os Canarinhos do Liceu Coração de Jesus ganharam grande notoriedade e passaram a ser conhecidos mundialmente, com destaque para duas figuras ilustres que fizeram parte do coral: o maestro Roberto Tibiriçá, titular da cadeira de nº 5 da Academia Brasileira de Música desde 26 de março de 2003 e membro Honorário da Academia Nacional de Música, Rio de Janeiro desde 2018; e o tenor lírico Thiago Aracam, famoso por se apresentar em diversos teatros no mundo.
• O colégio foi atingido por um bombardeio na Revolução de 1924, conhecida como segundo movimento tenentista do país, pedindo o fim do governo da República Velha, reformas no ensino público, voto secreto, poder político ao exército, fim da corrupção e destituição do presidente Artur Bernardes. A revolução ficou conhecida como o maior bombardeio ocorrido na cidade de São Paulo: diversos prédios e casas foram destruídos, principalmente em áreas operárias. O bombardeio atingiu a torre e os portões do Santuário do Sagrado Coração de Jesus - as marcas estão visíveis até hoje para quem passa pela Alameda Glete. Também é possível ver os fragmentos das bombas, expostos no Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB).

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